quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Juízos e constâncias...

Mais um dia se esvai e finda...
e o amanhã já se avizinha.
Lutas futuras não garantem o presente,
assim como águas passadas não movem moinhos.
O esforço próprio é uma constante,
difere da cruel ganância, que é variável.
Se bastasse apenas a luta de hoje,
não seria preciso as preocupações do amanhã,
apesar da vitória do porvir
sujeitar-se à batalha do aqui.
Cumprimentos se fazem presentes,
irradiados em dadivosos rostos contentes
e escondem por si o que oculto se vai à mente.
Umas vezes, solicitudes,
e muitas vezes, um reles e vil desprezo
onde há mais a sobrepujar
do que o intento em auxiliar.
E odes de amor ao próximo, vez por outra,
transmutam-se em canções nas cordas de cancioneiros,
quiçá, em tragédias nas peças de noveleiros.
Se bastassem os conselhos de efeito
as causas se reverteriam sempre em ações
e essas ações minimizariam as falas,
e essas falas jamais sairiam a esmos,
e esses esmos jamais fenderiam as gentes.
Então, falem ao menos bem uns dos outros,
para que outros reflitam deveras sobre uns
e uns se dêem, ao menos,
em sentimentos a outros!

Eles são dispensáveis

De todos os “ismos” genéricos, o comodismo certamente estará sempre em voga. Os filauciosos que dele fazem uso atuam em todos os segmentos, muitas vezes sob a armadura peculiar da probidade.

Alguns, embora adeptos da idoneidade são, por outro lado, desprovidos de sagacidade e olho clinico próprio para analisar e julgar melhor os préstimos de terceiros. Apreciam os adjetivos comprobatórios quanto aos gêneros difamatório e infame, sem, contudo, fazer uso da semântica em seus discernimentos. Julgam pelo simples ato de impor autoridade, sobrepujando verdades, solapando biografias e, por conseguinte, elevando aos céus as qualidades fictícias dos néscios.

Deve-se razão a Zoroastro, quando diz que “os serviços prestados ficam muitas vezes na antecâmara, enquanto as suspeitas entram sempre no gabinete.” Mas a vida é assim mesmo e nada se pode fazer. Abruptos e fleumáticos, os néscios e filauciosos sempre se destacaram na face da Terra. A própria historia esta cheia deles. Na idade média, Boyer; nos dias coevos, em todos os cantos, dispensam-se maiores apresentações.

É necessário que esses seres fixem os sentidos nos valores da moral, principalmente quanto aos princípios da humildade e da complacência, pois, ainda citando Zoroastro, “as pessoas de caráter elevado necessitam apenas de uma simples palavra, um simples olhar, para que imponham respeito àqueles que ousam sair da linha.” E com toda a certeza, o caráter delas jamais é efêmero.

Mãe!

Não uso metáforas,
aforismos, máximas!
Meus olhos denotam o que meu coração sente,
minhas palavras trescalam inquietação,
angústia, calor, satisfação, quiçá, mágoas...
Umas vezes, pudor, muitas outras, amor!
Mas todas elas me exprimem,
revelam nuances, segredos, matizes,
sorrisos, sentimentos... inexoráveis na magia do intimo!
Não me ocupo em versos, canções,
não plagio formas de amar,
pois você própria é minha canção,
minha poesia, o adorno à minha alma.
Assim, não posso conceder-te o amor do mundo,
Pois, em mim, amor e paixão não comungam a lascívia.
Excedem todas as formas, todas as forças,
todo o amor, que todos os mundos,
todos os amantes, pobres amantes,
jamais concebem. Eterno Amor!

Imperfeitos, iguais a nós!

È bom sair, conversar, fazer amigos. E è muito bom, em cada uma dessas atividades, procurar o mais possível esquivar-se das palavras que afligem o espírito, principalmente daquelas que nos indispõe contra os nossos semelhantes, pois eles também são humanos e imperfeitos. Iguais a nós!

Seja você mesmo!

A vida é realmente curtíssima. De que adianta negar-se a você e aos seus familiares algo que lhes dê prazer e alegria, apenas em função de modismos, histeria coletiva, ou mesmo para satisfazer a opinião de gente que nem ao menos se importa com você ou com os seus entes queridos? Desde que não se ofenda à moral e aos bons princípios, tudo deve concorrer para uma vida feliz e tranqüila. A sua e a daqueles os quais você tanto preza!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Preceitos na Santa Missa

Preceitos que urgem serem renovados na celebração diária da Santa Missa

1) Intenções da Santa Missa: Não é necessária a leitura das intenções, nome após nome. A fé verdadeira de quem assiste à Santa Missa deve ser suficiente para crer nas bênçãos e na misericórdia do Senhor, tanto daqueles que a oferecem a Santa Missa em intenção particular, quanto daqueles demais fiéis que não fizeram uso desse mister, seja em Ação de Graças ou quaisquer outras intenções;

2) Hino de Louvor (Glória): Perdeu-se a real noção do significado e da pureza da adoração significados no Hino de Louvor ao Senhor criador de todas as coisas. Deve-se estabelecer, com vigor, os coros responsáveis por essa aclamação, demarcando na assembléia a forma que melhor reverbere esse sublime clamor de toda a messe;

3) Amém: A consonância sapiencial deve ser proferida solenemente uma única vez ao final de cada oração, sem exageros, sendo plenamente dispensáveis os intermináveis améns cantados, acompanhados de aplausos, bater de palmas e outras teatralidades ora comumente observadas nas celebrações;

4) Liturgia da Palavra: Os responsáveis pela leitura da Palavra do Senhor devem preparar-se previamente para esse mister, conferindo à voz tonalidade suficiente, a fim de serem satisfatoriamente ouvidos por toda a assembléia. Uma vez que se está na Liturgia da Palavra, onde já precederam os Ritos Iniciais, faz-se totalmente dispensáveis os cumprimentos de praxe à assembléia, tais como “boa noite”, “bem vindos” e afins, pois estes já o foram feitos convenientemente no início da celebração. O celebrante deve fazer o chamamento constante dos fiéis à oração, conclamando-os à leitura constante da Palavra do Senhor durante a semana, lembrando-os de acompanharem em suas casas – quando impossibilitados de irem à missa durante a semana, da liturgia da palavra orientada no semanário litúrgico-catequético, geralmente disposta no folheto à última folha, após a coluna ‘Ritos Finais’;

5) Homilia: A homilia é o momento em que o sacerdote é inspirado pelo Espírito Santo para dissecar aos fiéis aquelas passagens demasiado elevadas ou por vezes obscuras da Sagrada Escritura. Portanto, nada mais impróprio do que as conversas paralelas, brincadeiras com aparelhos celulares e outras demonstrações de falta de educação e respeito, primeiro à Palavra do Senhor, segundo ao sacerdote, terceiro aos fiéis e por fim a si mesmo;

6) Ofertório: O Senhor nos ensina em Eclesiástico 7.33 sobre o respeito devido aos sacerdotes, e no versículo 34, do mesmo capítulo, quanto à necessidade das pequenas ofertas para a expiação dos nossos pecados;

7) Pantomimas: Quem é aplaudido corre igualmente o risco de ser vaiado, já ensina o ditado. A profusão de aplausos e agitação de lenços e panfletos em louvor ao Senhor Jesus Cristo devem ser terminantemente preteridos em favor de uma verdadeira e sincera concentração na oração, sem excessos. Gritos de “viva Cristo” e outras ovações são totalmente dispensáveis, abstendo a Santa Missa de modismos extemporâneos e outras pantomimas;

8) Coral: Os membros do coral devem ter compromisso primordial com a celebração e não somente com os cânticos. Conversa paralela, afinação de instrumentos e outros expedientes desse naipe, observados principalmente entre os jovens, contribuem para anular a concentração de si mesmos dos ritos litúrgicos e, mais grave ainda, dos fiéis à sua volta;

9) Cânticos: Os cânticos são feitos para o enriquecimento da liturgia e não devem jamais serem o seu único fim. Batuques, danças e shows devem ser relegados aos lugares onde são plenamente cabíveis, exceto, obviamente, a Santa Missa. Quanto aos instrumentos musicais, muitas das vezes, o mínimo é o máximo;

10) Oração Eucarística: Na invocação pela Igreja, é fato que são muitíssimos os Bispos e Sacerdotes em todo o mundo, porém, há um só Papa. Portanto, tanto na invocação pelo sacerdote bem como nos semanários litúrgicos-catequéticos, faz-se necessária a deferência “Papa Bento XVI” e não o comum ‘papa bento’;

11) Ritos Finais: Após a comunhão, o celebrante deve proceder à Ação de Graças, enlevando toda a assembléia em oração de agradecimento ao Senhor. Finda a Ação de Graças, e feita a Oração após a Comunhão, procede-se solenemente à Bênção Final, onde, somente após a bênção, será permitida a confraternização dos fiéis, saudações aos aniversariantes e lembretes de última hora;

12) Avisos Finais: Faz-se necessária a abolição total desse expediente. Embora sejam de interesse comunitário, tais avisos tiram a concentração primordial da celebração, qual seja, a Eucaristia do Senhor precedida de Sua palavra na liturgia. Esses avisos e outros ditames preconícios devem ser afixados em quadro próprio, em local visível a todos à entrada da Igreja, jamais no Altar ou na Capela do Santíssimo Sacramento;

13) Louvores à Virgem Santíssima: Nas ocasiões em que se fizerem necessários, os louvores e as coroações ofertados à Virgem Maria Santíssima devem privilegiar unicamente a Virgem e não os coroandos, os catequistas ou as instituições a que os coroandos ora representam. Os refrães intermináveis e fastidiosos devem ser justamente preteridos em favor de um devotamento sincero à Virgem e não pendores artísticos à vaidade humana.

Crescer e multiplicar-se!

Mas crescer não só em estatura, mas, sobretudo, na sabedoria, na fé em algum ideal e na certeza de poder dar aos filhos uma educação digna e condizente com a retidão de princípios de um caráter firme e comedido. A questão dos vícios, da conduta por vezes imoral, das irritações sem sentido algum, talvez até imatura no proceder, tudo isso, enfim, reflete-se de forma extremamente negativa em nossos filhos, pelo simples fato de que pesa-nos terrivelmente na consciência.

O fato de se cometer erros e admiti-los é muito louvável. Mas insistir em cometê-los e, pior ainda, insistir em arranjar-lhes desculpas descabidas ou ainda estabelecer-lhes parâmetros sem nexo com situações ou pessoas já há muito distantes do nosso convívio denota, mais que imaturidade, uma vontade inconsciente e escondida em perpetuar-se nesses erros e nesses equívocos. Muitas das vezes acobertamos e perdoamos uma falta grave daqueles a quem amamos pelo fato de padecermos da síndrome do “já fiz muito pior” e isso, além de tornar-nos impotentes e sem moral para corrigirmos ou mesmo aconselharmos alguém, ainda agrava uma tendência perniciosa à ociosidade, ao desrespeito, à deturpação da moral, baseada na análise de que “se fulano pode eu também posso”, além de contribuir negativamente para a formação de seres humanos desprovidos totalmente de sensibilidade e afabilidade no trato com as pessoas, seus semelhantes, por sinal.

Se quando erramos, reconhecemos e tentamos evitar as recaídas a todo o custo, pode-se considerar um avanço no amadurecimento pessoal. Mas se erramos e nos envidamos em justificativas torpes, a tendência é entrarmos perigosamente num círculo vicioso e, muitas das vezes, sem volta. Na hipótese da percepção de fraqueza pessoal e improdutividade na luta contra esses males, devemos buscar ajuda daqueles em quem confiamos, a fim de que, juntos, busquemos todos uma saída digna para uma vida saudável e feliz.

Reconhecidos esses preceitos, vive-se muito bem. E vive-se não à espera de um fim tranqüilo ou de uma aposentadoria sossegada, mas sim, vive-se, com prazer, cada dia que se vive. Conversa-se com todos sem afligir-lhes a mente ou o espírito. Trata-se com carinho os filhos e o cônjuge sem esperar retorno. Porque sendo esse um tratamento respeitoso, carinhoso e cordial a recíproca será mútua. E no fim, o que fica é a certeza de que a saudade jamais deixará que fiquemos no esquecimento.

Vencedores!

A rotina é sempre confortável. Chegamos cedo ao local de trabalho, cumprimentamos nossos colegas e parceiros de equipe, dirigimo-nos aos nossos afazeres já predeterminados e aguardamos ansiosamente o fim do dia, certos de que nada, mesmo algo aparentemente errado ou suspeito não nos afligirá, pois, caso algum serviço ou tarefa dê errada, a chefia certamente tomará as providências necessárias. Isso é para os acomodados.

Desafios são e sempre serão muito bem vindos e certamente nos preencherão positivamente o ego pessoal e profissional, pelo simples fato de que nós, seres humanos, gostamos de provar, em primeiro lugar para nós mesmos, que somos capazes de tudo, mas tudo mesmo.

A questão do medo em arriscar é perfeitamente compreensível, uma vez que o primeiro dado que nos vem à cabeça é o fator “prejuízo financeiro”, quando na verdade, balanceados todos os prós e os contras, o que deve ser levado sempre em conta é o saldo coerente de uma análise correta, feita sempre em equipe, pelo simples fato de que duas ou mais cabeças pensam sempre bem melhor do que uma.

Grande parte das invenções das quais usufruímos hoje, com muito prazer, surgiu do esforço de um ou vários pioneiros que não mediram quaisquer esforços pessoais no sentido da experimentação e aplicação de suas idéias e ideais. É certo que o medo tende a provocar um bloqueio em nossas mentes, talvez até sem que percebamos esse fato. Mas bastam algumas palavras com alguém de nossa confiança, inclusive, superando-se aqui a vergonha ou até mesmo o orgulho em partilharmos nossas dúvidas com outros, que no minuto seguinte, como que por encanto, clareiam-se novamente as idéias, surgem diante dos nossos olhos opções até então imperceptíveis e, finalmente, toma corpo e vida uma idéia até então impossível de ser concretizada.

As palavras e os discursos são sempre igualmente confortáveis. Basta um mínimo de discernimento e humildade para que todos os propósitos sejam plenamente atingidos.

Globalização

Ainda essa conversa: "do bem ou do mal?"

Há muito se têm discutido os efeitos da globalização de modo geral na vida de cada ser humano, e de como esses efeitos influem no dia-a-dia de trabalho, no lazer, na família, enfim, se as atuais facilidades tecnológicas realmente são benéficas ao homem, do ponto de vista de um melhor aproveitamento de seu tempo, ou se essas mesmas transformações não o estão relegando a um
ostracismo, ou seja, a um acomodamento no seu modo de agir, pensar e enxergar a vida como um sem fim de objetivos dignos a serem alcançados, bem como transmitir essa vontade férrea de vencer aos seus filhos e descendentes.

Negar que essas transformações têm um impacto verdadeiro e positivo na vida de cada um é o mesmo que padecer de nostalgia crônica dos tempos em que cinco ou seis pessoas tomavam banho em imensas bacias utilizando-se todas da mesma água, uma vez que a comodidade da água encanada e à temperatura ideal era coisa, naquele tempo, de visionário maluco.

Os computadores, os veículos com injeção eletrônica e ABS, os aparelhos celulares e a Internet vieram para ficar e será sempre um erro tentar enxergar nesse emaranhado de tecnologia algo concebido para a infelicidade deste ou daquele povo. Uma coisa sensata a fazer, como em todas as transformações, é tentar assimilar o mais possível essas novidades, seja através da leitura de artigos especializados, seja através do contato direto com pessoas mais ligadas a esse meio, pois as crianças e os jovens de hoje há muito absorveram esses conceitos em seu modo de vida, pelo simples fato de não terem absorvido ainda aquela malícia permissiva da competição férrea, em detrimento de uma longa e frutífera amizade.

As novidades tecnológicas de hoje certamente estarão obsoletas e ultrapassadas em um tempo muitíssimo breve e será infinitamente mais fácil absorver as tecnologias futuras se cada um se dispuser, desde já, a interessar-se pelos ganhos até agora conquistados, uma vez que o maior beneficiado será justamente o próprio interessado.

Não será fácil. Mas uma caminhada de mil quilômetros inicia-se, justamente, com o primeiro de incontáveis e longos passos.

Ritos, Paramentos e Liturgia

Algumas batalhas devem ser sobejamente evitadas, sobretudo, aquelas que ferem os egos, acirram os ânimos e afligem sobremaneira o espírito de seus contendores. Dessas primícias, têm-se notado ultimamente uma preocupação excessiva de determinadas pessoas e segmentos com os ritos praticados pela Igreja Católica, com o seu cerimonial na Santa Missa e com os paramentos usados pelos seus sacerdotes nas celebrações, paramentos esses que encantam aos olhos, como se assim se satisfizesse a efêmera vaidade dos sacerdotes em detrimento dos preceitos preconizados pelo Senhor na condução de uma vida verdadeiramente regrada.

Essa preocupação é cabível na medida em que os rituais de qualquer religião privilegiem essa mesma religião e seus celebrantes, e não, como é de se esperar, a Palavra do Senhor. Nos últimos dias, têm se observado embates contraproducentes e infrutíferos acerca da correta denominação das igrejas de ocasião, se as mesmas designam-se ‘seitas’ ou se deve intimá-las a algo mais elevado, evitando-se, desse modo, os litígios e as mumunhas.

Toda essa celeuma extemporânea privilegia, como sempre, a frivolidade das coisas e a vaidade humana. O Senhor não se preocupa com modismos ou teatralidades, muito menos com protocolos ou fórmulas vãs, como assim nos ensina São Paulo em 1Cor 12, 5-6: “Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos.”

Afirma-se que os fiéis católicos têm se bandeado aos neopentecostais em busca de “novidades” por formas mais efusivas de louvor, e essa busca tem alimentado críticas desconexas e comezinhas aos ritos litúrgicos praticados pelos católicos. Em se tratando dos paramentos, tais julgamentos tendem à cobiça e a emulação. Responder a essas críticas é alimentar celeumas, contudo, convém observar que as seitas ou igrejas originadas após o cisma católico, pela divina graça do livre-arbítrio, baniram os seculares ritos católicos em favor de fórmulas e louvores de nível muitas vezes inferior e de gosto duvidoso. Pululam nesses cunhais uma profusão de “tendas disso”, “fogueiras daquilo”, “anéis que tais” e outros expedientes mais que privilegiam unicamente o êxtase momentâneo de seus prosélitos do que propriamente o amor e o temor de Deus.

Seria deselegante incitar contendas afirmando que os sectários dessas seitas entrevistem anjos celestes sobre essas tendas e essas fogueiras, mas, ao mesmo tempo será assaz ignóbil alguém ridicularizar as imagens sacras católicas afirmando que elas encerram o espírito daqueles as quais são dedicadas. Seria o mesmo que afirmar, como em certas culturas indígenas, que as fotografias de entes queridos são o depositário eterno de suas almas e, danificando-as, conspurcar-se-iam as suas memórias.

Os homens, desde os primórdios, reconhecem o imutável e têm plena ciência da necessidade do amor de Deus, da humildade e do temor de Deus, sendo esses três pilares a admirável essência da filosofia de São Bento de Núrcia, muito bem expressos em sua conspícua e diáfana regra. As culturas, obviamente, diferem entre si nos seus conceitos e, muitas das vezes, numa mesma cultura sucedem embates ferrenhos, concernentes aos mais variados assuntos, porém, desde que mantidos o devido respeito ao livre arbítrio, tudo concorre para a Glória maior do Altíssimo.

O desdém aos ritos e preceitos praticados pelos católicos carece de observância fiel à Palavra do Senhor, concisa em Eclesiástico 7, 31-32: “Teme o Senhor com toda a tua alma, e venera os seus sacerdotes. Ama com todas as tuas forças aquele que te criou, e não desampares os seus ministros”. E o Senhor nos delega aos cuidados a Sua verdadeira Igreja em Mateus 16, 18: “E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

Com efeito, “Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor.” Igualmente, há diversidade de ritos e oblações, e o fervor nesse mister é que determina a comunhão real com Deus. Se levarmos em conta que o Senhor se abstém firmemente de carteiras e bolsos cheios em favor do respeito e amor às suas veredas, os embates acerca dos ritos será apenas retórica no aliciamento de espíritos mais fracos e dados aos pendores cênicos nas celebrações, em detrimento de um maior e igualmente válido fervor na oração.

Sociedade Hedonista

“Fala-se muito nas discussões e em todas elas há muita vaidade”. Esse preceito contido em Eclesiastes 6.11 reflete a excrescência vaidade humana em todos os aspectos que regem a nossa vida, a moral e os bons costumes. Nos últimos tempos, desde a visita de Sua Santidade à nação brasileira, temos tido a opinião de diversas pessoas providas do condão maravilhoso da informação, alguns até, formadores loquazes de opinião acerca de temas demasiado prolixos, porém, caros e necessários ao régio conduto da condição humana.

Têm-se tratado da questão do aborto das formas as mais radicais e esdrúxulas possíveis, com paroxismos os mais diversos, como se estivéssemos, de fato, na idade média, e dos embates entre Estado e Igreja dependessem as cabeças as mais proeminentes. É fato que o governo tem agido nessa questão espinhosa com a melhor das boas intenções, uma vez que é crítica a situação de um número incalculável de mulheres em condições sofríveis de amparo social, não somente nas questões concernentes ao aborto como também nas várias etapas sucessivas do pré-natal, quando as mesmas decidem humana, cristã e racionalmente a prosseguirem a gravidez. Também é fato inquestionável a posição da Igreja sobre o assunto, ou seja, a defesa do valor da vida, da sua concepção ao fim natural.

Para aqueles que identificam erroneamente um paradoxo da Santa Sé na defesa dos valores da vida, na medida em que esta defende em toda a máxima os direitos do feto em detrimento aos riscos à vida daquela que em si o encerra, frente à marginalização dos processos contraceptivos comumente observados, cabe aqui as razões as quais os embates promovidos contra a Igreja carecem de profundidade de reflexão, uma vez que suscitam erros contumazes de quem os pauta.

A questão intrínseca não trata unicamente do aborto em si, da defesa da vida contida no embrião, no feto ou à própria mãe, mas, sim, do valor real como a vida se nos apresenta. Mulheres têm sido vilipendiadas e vítimas de toda a sorte de abusos e exploração sexual desde a mais tenra idade, seja de forma direta às vias de fato, inclusive, por pessoas até então insuspeitas ao seu convívio cotidiano, seja de forma indireta, em que são expostas como objeto de barganha e consumo em propagandas e peças de ficção de gosto duvidoso, onde a elegia à concupiscência são os maiores e mais tristes atrativos.

Quando adultas e com um mínimo de valores familiares e cristãos incutidos e introjetados desde o berço, tais mulheres sabem se defender de maneira própria e peculiar dessa terrível forma de contágio que ora infeta nossa sociedade. A gravidade, porém, advém quando tais modismos atingem o alvo a que muitas vezes se destina, qual seja, a juventude. Meninas debutadas na adolescência, mal saídas da puberdade, são invariavelmente seduzidas por esses apelos perniciosos e de baixíssimo nível, onde são levadas ao extremo a arte da sedução e domínio do sexo oposto como sinal inequívoco de sua pretensa capacidade de auto afirmação. A formosura é coisa vã e a primazia no ensino educacional sobre o desabrochar da sensualidade e da sexualidade faz-se imperativo nesse contexto. Como são ainda basicamente crianças na acepção real da palavra, e como nem sempre têm junto de si o amparo e a estrutura familiar nessa ou noutra área difícil das relações humanas nesse começo difícil de suas vidas, e seduzidas diária e inexoravelmente por esses descasos infelizes de cooptação, acabam se entregando a um hedonismo em que, finda a descoberta precoce e imatura do prazer momentâneo, supuram então as chagas do desgosto, arrependimento e tristeza, onde, aliada à infeliz e irrecuperável perda da virgindade encontra-se a igual perda da auto estima e referência, somada à constatação de que, a reboque a inocência perdida, surge agora uma igualmente insegura, débil, frágil e estranha mulher, numa sociedade não menos perdida, frágil e estranha.

Esse abjeto e vil lugar-comum da condição humana deve ser combatido e abolido veementemente de nossa sociedade. É contra esse tipo de mazela que a Igreja tem digladiado desde os primórdios, com mais afinco nos últimos tempos e com ânimo redobrado nos dias coevos. E a essa luta devem-se assomar todos as demais parcelas da sociedade como um todo, sem pseudomaniqueísmos, ideologias ou demais ismos freqüentemente utilizados por esses contumazes oportunistas de conveniência.

A bandeira da dignidade humana deve ser empenhada desde a percepção individual das responsabilidades a que estão sujeitas as relações carnais fora do casamento, bem como o magnífico porvir desse desabrochar da sexualidade quando frutificado das sementes e frutos de uma vida casta e virtuosa. Estado, instituições e comunidades são regidos e constituídos por pessoas. E pessoas são constituídas invariavelmente pela união carnal entre homem e mulher. E quando essa união se dá no seio da Família, a mais antiga e secular instituição constituída por Deus, e quando a Família segue fielmente os preceitos, os desígnios e as veredas do Senhor, então o passo primordial para o refinamento nas relações está dado.

As coisas velhas, enfim, passam. E eis que tudo se faz novo.

"Vem e segue-Me"

A cada um dos doze apóstolos o Senhor os convida a deixar atrás de si mesmos os erros, as injustiças cometidas, as competições desiguais, as fraquezas da carne, enfim, as tentações mundanas em favor de algo maravilhoso que somente o Senhor nos pode oferecer, qual seja, a vida eterna. “Vem e segue-Me!” A este chamado tantos outros têm sido compungidos a abraçar os desígnios de Deus em detrimento de toda uma vida desregrada, pautada por atos, omissões, faltas e ações indignas do sofrimento do Deus Filho por nós na cruz, o qual lavou pelas suas pisaduras os nossos pecados.

O Senhor nos convida sempre a segui-Lo e imitá-Lo, pautando, para isto, desde os primórdios, os exemplos daqueles os quais se elegeram santos, pela sua renúncia, pela sua perseverança e, sobretudo, pela sua fé inquebrantável ante aos desígnios da Providência. Essa fé indestrutível, frente às provações muitas e tantas vezes incompreensíveis ao nosso entendimento, pela própria índole humana em compreender e aceitar a vontade do Pai, nos dá a medida exata do quanto essa fé e esses exemplos nos devem servir sempre de modelo e virtude em nosso cotidiano, fazendo-nos aceitar, por esses exemplos, a vontade suprema de Deus em nossas vidas.

O reconhecimento das virtudes dos santos reverenciados pela Igreja fazem-nos propícios ao princípio imutável da humildade, uma vez que esses virtuosos nasceram pessoas como nós, porém, pessoas que alcançaram a graça sublime de serem devotados de corpo, alma e espírito à vontade de Deus Pai. Com efeito, encontramos pessoas de nosso convívio cotidiano que igualmente devotam suas vidas ao serviço do bem comum, em favor dos mais necessitados, dos excluídos, dos enfermos, dos injustiçados, pessoas estas que se dedicam inteiras em favor do próximo e é na nobreza do coração dessas pessoas que o Senhor encontra conforto e morada, como assim no-Lo diz em Mateus, 25.40: “Na verdade vos digo que todas as vezes que vós fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequenos, a mim o fizestes.”

A vida é vaidade e aflição do espírito, nos diz o Eclesiastes, e mesmo aqueles que são o esteio dos mais necessitados padecem provações e tribulações tais que, por vezes, se apresentam demasiado cruéis a quem as sofre. É necessário firmar-se na fé para não capitular ante essas provações e, nos momentos insuportavelmente difíceis, buscar incessantemente o refúgio seguro na Palavra do Senhor, que nos conforta e nos dá o caminho a seguir. A Palavra do Senhor se nos apresenta diáfana e concisa quando proferida com ardor e simplicidade de entendimento por aqueles agraciados com o sublime condão do discernimento, onde as passagens por vezes obscuras e demasiado elevadas ao entendimento humano são destiladas de forma sublime e conspícua pela graça dos digníssimos pastores das incontáveis ovelhas do imenso rebanho à disposição do Pai Celeste.

“Grande é na verdade a messe, mas os operários são poucos”, nos diz o Senhor em Lucas 10,2, e este preceito reflete o convite do próprio Senhor a que nos unamos em consonância à toda a comunidade e, via de regra, a toda a Igreja, a fim de que a messe jamais pereça órfã dos ensinamentos, das virtudes e da salvação contidas na Palavra de Deus, Palavra esta gratificada, testificada e frutificada pelos operários da vinha do Senhor à toda a messe.