Mais um dia se esvai e finda...
e o amanhã já se avizinha.
Lutas futuras não garantem o presente,
assim como águas passadas não movem moinhos.
O esforço próprio é uma constante,
difere da cruel ganância, que é variável.
Se bastasse apenas a luta de hoje,
não seria preciso as preocupações do amanhã,
apesar da vitória do porvir
sujeitar-se à batalha do aqui.
Cumprimentos se fazem presentes,
irradiados em dadivosos rostos contentes
e escondem por si o que oculto se vai à mente.
Umas vezes, solicitudes,
e muitas vezes, um reles e vil desprezo
onde há mais a sobrepujar
do que o intento em auxiliar.
E odes de amor ao próximo, vez por outra,
transmutam-se em canções nas cordas de cancioneiros,
quiçá, em tragédias nas peças de noveleiros.
Se bastassem os conselhos de efeito
as causas se reverteriam sempre em ações
e essas ações minimizariam as falas,
e essas falas jamais sairiam a esmos,
e esses esmos jamais fenderiam as gentes.
Então, falem ao menos bem uns dos outros,
para que outros reflitam deveras sobre uns
e uns se dêem, ao menos,
em sentimentos a outros!