Mas crescer não só em estatura, mas, sobretudo, na sabedoria, na fé em algum ideal e na certeza de poder dar aos filhos uma educação digna e condizente com a retidão de princípios de um caráter firme e comedido. A questão dos vícios, da conduta por vezes imoral, das irritações sem sentido algum, talvez até imatura no proceder, tudo isso, enfim, reflete-se de forma extremamente negativa em nossos filhos, pelo simples fato de que pesa-nos terrivelmente na consciência.
O fato de se cometer erros e admiti-los é muito louvável. Mas insistir em cometê-los e, pior ainda, insistir em arranjar-lhes desculpas descabidas ou ainda estabelecer-lhes parâmetros sem nexo com situações ou pessoas já há muito distantes do nosso convívio denota, mais que imaturidade, uma vontade inconsciente e escondida em perpetuar-se nesses erros e nesses equívocos. Muitas das vezes acobertamos e perdoamos uma falta grave daqueles a quem amamos pelo fato de padecermos da síndrome do “já fiz muito pior” e isso, além de tornar-nos impotentes e sem moral para corrigirmos ou mesmo aconselharmos alguém, ainda agrava uma tendência perniciosa à ociosidade, ao desrespeito, à deturpação da moral, baseada na análise de que “se fulano pode eu também posso”, além de contribuir negativamente para a formação de seres humanos desprovidos totalmente de sensibilidade e afabilidade no trato com as pessoas, seus semelhantes, por sinal.
Se quando erramos, reconhecemos e tentamos evitar as recaídas a todo o custo, pode-se considerar um avanço no amadurecimento pessoal. Mas se erramos e nos envidamos em justificativas torpes, a tendência é entrarmos perigosamente num círculo vicioso e, muitas das vezes, sem volta. Na hipótese da percepção de fraqueza pessoal e improdutividade na luta contra esses males, devemos buscar ajuda daqueles em quem confiamos, a fim de que, juntos, busquemos todos uma saída digna para uma vida saudável e feliz.
Reconhecidos esses preceitos, vive-se muito bem. E vive-se não à espera de um fim tranqüilo ou de uma aposentadoria sossegada, mas sim, vive-se, com prazer, cada dia que se vive. Conversa-se com todos sem afligir-lhes a mente ou o espírito. Trata-se com carinho os filhos e o cônjuge sem esperar retorno. Porque sendo esse um tratamento respeitoso, carinhoso e cordial a recíproca será mútua. E no fim, o que fica é a certeza de que a saudade jamais deixará que fiquemos no esquecimento.