A cada um dos doze apóstolos o Senhor os convida a deixar atrás de si mesmos os erros, as injustiças cometidas, as competições desiguais, as fraquezas da carne, enfim, as tentações mundanas em favor de algo maravilhoso que somente o Senhor nos pode oferecer, qual seja, a vida eterna. “Vem e segue-Me!” A este chamado tantos outros têm sido compungidos a abraçar os desígnios de Deus em detrimento de toda uma vida desregrada, pautada por atos, omissões, faltas e ações indignas do sofrimento do Deus Filho por nós na cruz, o qual lavou pelas suas pisaduras os nossos pecados.
O Senhor nos convida sempre a segui-Lo e imitá-Lo, pautando, para isto, desde os primórdios, os exemplos daqueles os quais se elegeram santos, pela sua renúncia, pela sua perseverança e, sobretudo, pela sua fé inquebrantável ante aos desígnios da Providência. Essa fé indestrutível, frente às provações muitas e tantas vezes incompreensíveis ao nosso entendimento, pela própria índole humana em compreender e aceitar a vontade do Pai, nos dá a medida exata do quanto essa fé e esses exemplos nos devem servir sempre de modelo e virtude em nosso cotidiano, fazendo-nos aceitar, por esses exemplos, a vontade suprema de Deus em nossas vidas.
O reconhecimento das virtudes dos santos reverenciados pela Igreja fazem-nos propícios ao princípio imutável da humildade, uma vez que esses virtuosos nasceram pessoas como nós, porém, pessoas que alcançaram a graça sublime de serem devotados de corpo, alma e espírito à vontade de Deus Pai. Com efeito, encontramos pessoas de nosso convívio cotidiano que igualmente devotam suas vidas ao serviço do bem comum, em favor dos mais necessitados, dos excluídos, dos enfermos, dos injustiçados, pessoas estas que se dedicam inteiras em favor do próximo e é na nobreza do coração dessas pessoas que o Senhor encontra conforto e morada, como assim no-Lo diz em Mateus, 25.40: “Na verdade vos digo que todas as vezes que vós fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequenos, a mim o fizestes.”
A vida é vaidade e aflição do espírito, nos diz o Eclesiastes, e mesmo aqueles que são o esteio dos mais necessitados padecem provações e tribulações tais que, por vezes, se apresentam demasiado cruéis a quem as sofre. É necessário firmar-se na fé para não capitular ante essas provações e, nos momentos insuportavelmente difíceis, buscar incessantemente o refúgio seguro na Palavra do Senhor, que nos conforta e nos dá o caminho a seguir. A Palavra do Senhor se nos apresenta diáfana e concisa quando proferida com ardor e simplicidade de entendimento por aqueles agraciados com o sublime condão do discernimento, onde as passagens por vezes obscuras e demasiado elevadas ao entendimento humano são destiladas de forma sublime e conspícua pela graça dos digníssimos pastores das incontáveis ovelhas do imenso rebanho à disposição do Pai Celeste.
“Grande é na verdade a messe, mas os operários são poucos”, nos diz o Senhor em Lucas 10,2, e este preceito reflete o convite do próprio Senhor a que nos unamos em consonância à toda a comunidade e, via de regra, a toda a Igreja, a fim de que a messe jamais pereça órfã dos ensinamentos, das virtudes e da salvação contidas na Palavra de Deus, Palavra esta gratificada, testificada e frutificada pelos operários da vinha do Senhor à toda a messe.